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Escalas da mobilidade urbana e qualidade de vida

Imagem: CAU/AM

Você sabe o que é mobilidade urbana? Hoje, esse assunto se faz cada vez mais necessário uma discussão a respeito. Vivemos num momento em que as cidades estão mais populosas e as necessidades humanas cada vez maiores.

Mobilidade urbana é a possibilidade que as pessoas têm de se locomoverem entre diferentes territórios de uma cidade e, os veículos particulares e os transportes públicos são os meios de locomoção mais utilizados atualmente.

Eu sempre defendo a questão de que a cidade precisa ser voltada para as pessoas e, com esse crescimento desacerbado populacional e suas necessidades do dia-a-dia, as cidades estão perdendo a sua capacidade de acompanhar esse desenvolvimento, impedindo uma mobilidade urbana com mais qualidade.

Esse assunto abrange diversos fatores, não somente governamental, mas também socioeconômico, ambiental e territorial, até porque para implantar outros ou mais meios de locomoção em uma cidade, precisará readequar o desenho urbanístico, o que não é tarefa fácil em uma cidade mais edificada, pois precisará retirar ou realocar algumas coisas para se colocar outras no lugar, lógico que considerando o fator custo benefício e principalmente a longo prazo, o que pode parecer ruim hoje, será bem melhor amanhã, mas mesmo assim, o hoje deve sempre ser considerado.

Fonte: greenfm.com.br

Ultimamente, fala-se muito sobre sustentabilidade, pessoas que estão mudando suas rotinas para viverem uma vida mais simples e sustentável e na mobilidade urbana não é diferente. Para isso, a mobilidade urbana sustentável inclui soluções de implantação de outros meios de locomoção, como transportes sobre trilhos, trens, metrôs, bondes e VLTs, assim como ônibus, BRT e meios de transportes alternativos não poluentes, como bicicleta, patinetes, patins e skates.

Levando em conta uma situação como essa, de um feriado prolongado com seis dias onde um percentual considerável está de folga e por conta disso muitos vão viajar, é a deixa para que possamos repensar sobre o assunto em diversos tipos de escalas e qualidade de vida.

Quando há esses feirados muito longos em que as pessoas aproveitam esse tempo e se locomovem para outras cidades, acaba por ocorrer um problema muito comum de congestionamento nas rodovias, dificultando o fluxo nas grandes cidades, por haver um número muito alto de veículos nas estradas com um mesmo intuito.

Considerando o sistema de mobilidade sustentável, a implantação de transportes alternativos, que atendam numa escala maior, iria facilitar muito o deslocamento das pessoas nessas situações.

Mesmo numa rotina normal de uma cidade grande, o ir e vir das pessoas ainda é um enorme problema na prática, o que prejudica na qualidade de vida. Há bastante opções para se deslocar de uma zona a outra, mas ainda é muito pouco para a quantidade de pessoas e as necessidades que temos hoje.

Outro dia indo a uma feira de arquitetura, percebi que perdia exatamente 3h para ir e 3h para voltar, num total de 6h, que praticamente é uma jornada de trabalho, dentro de um transporte público e de uma maneira nem um pouco confortável. Mudando esse quadro para o perfil de pessoas que se locomovem com seu próprio veículo, o tempo que se perde em um engarrafamento, também não contribui para uma qualidade de vida.

Vale lembrar que a mobilidade é direito de todos, o que significa que pessoas com mobilidade reduzida não podem ser esquecidas nesse momento, até porque elas levam o dobro do tempo para se locomoverem, principalmente na cidade, onde presenciamos diversos obstáculos nos passeios públicos, acessos, más sinalizações, entre outros.

Viu como a mobilidade urbana deve ser repensada e discutida por todos?! Ela vai desde a microescala do pequeno deslocamento que as pessoas podem fazer a pé e que para isso precisamos de calçadas mais confortáveis livre de qualquer obstáculo ou dificuldade. A média escala, quando nos deslocamos de uma zona a outra, porém dentro de um mesmo município ou estado e a macro escala, onde a mobilidade nos permite deslocamentos maiores de um estado para outro.

As cidades estão crescendo, a demanda aumentando e o desenvolvimento das cidades precisam estar alinhados a esse novo perfil, afinal esse tempo perdido, por não haver mais meios de locomoção alternativas e principalmente de qualidade, poderíamos estar fazendo outras coisas que agregariam mais valor as nossas vidas, como passar o tempo com a família, relaxando ou fazendo qualquer outra coisa que gostamos ou que possam contribuir mais para o nosso desenvolvimento profissional e pessoal.

Por: Priscila Castilho Nunes.

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